Nova ferramenta usa IA generativa para responder dúvidas, orientar decisões financeiras e realizar transações dentro do aplicativo do banco.
O Itaú Unibanco apresentou nesta segunda-feira, dia 27 de julho, em São Paulo, a ia.i, sigla para Inteligência Artificial Itaú, uma nova experiência conversacional baseada em inteligência artificial generativa. A ferramenta permite que clientes interajam com o banco em linguagem natural para tirar dúvidas, obter orientações financeiras e realizar transações diretamente pelo aplicativo, sem depender da navegação tradicional por menus e botões. O lançamento representa um novo passo na estratégia de IA da instituição, batizada internamente de AI First, e busca transformar a forma como os usuários se relacionam com serviços bancários no dia a dia.
A novidade já está disponível para uma base inicial de cerca de 300 mil clientes e será ampliada de forma gradual nos próximos meses, com a expectativa de alcançar a totalidade da carteira até o fim de 2026. Segundo o próprio banco, essa entrega não nasceu do zero: ela é resultado de mais de uma década de investimentos em dados, governança, infraestrutura tecnológica e pesquisa aplicada, um esforço que já vinha sustentando outras iniciativas do Itaú antes mesmo do lançamento oficial da plataforma.
Três pilares sustentam a nova experiência do banco
De acordo com o Itaú, a solução foi desenvolvida a partir de três pilares centrais: interatividade, multimodalidade, que integra texto, voz, imagem e cliques em uma única experiência, e individualização, que adapta as respostas ao perfil e ao momento de vida de cada cliente. Em vez de obrigar o usuário a procurar funcionalidades específicas dentro do aplicativo, a proposta é que ele simplesmente diga ou escreva o que precisa fazer, de forma parecida com o que já ocorre em assistentes de voz como Alexa e Siri.
Para João Araújo, diretor de Estratégia, Ciclo de Vida do Cliente e Inteligência Artificial do Itaú, a próxima fronteira é construir uma relação melhor com o cliente. Segundo o executivo, a ferramenta permite que o usuário comece pela sua própria necessidade, transformando a conversa em uma nova forma de compreender, orientar e apoiar decisões financeiras, em vez de exigir que ele navegue por caminhos pré-definidos dentro do sistema.
O próprio nome da ferramenta carrega um significado duplo, segundo explicou o executivo à imprensa: além de funcionar como acróstico para inteligência artificial do Itaú, ia.i também soa como a expressão popular “e aí”, usada no dia a dia para puxar conversa. A plataforma reúne, em uma única experiência, iniciativas que já existiam de forma isolada dentro do banco, como o recurso de inteligência artificial voltado a investimentos e o Pix disponível pelo WhatsApp, agora integrados sob uma mesma camada conversacional.
Como funciona na prática e o que vem a seguir
No aplicativo, o ia.i aparece como um botão flutuante na tela inicial, mas também surge em outros pontos da jornada do usuário, sempre que o sistema identifica uma oportunidade de ajudar com alguma dúvida ou tarefa. A interface se autoconstrói conforme a necessidade da pessoa, apresentando dados, tabelas e gráficos de forma personalizada, e todo conteúdo gerado por inteligência artificial é identificado com um ícone específico, para deixar claro ao cliente quando está interagindo com uma resposta automatizada.
Nos próximos meses, o banco pretende ampliar as funções da ferramenta, incorporando recursos de simulação e contratação de produtos financeiros, além de análises recorrentes sobre receitas, despesas e hábitos de consumo dos clientes. Por enquanto, no entanto, a plataforma não está autorizada a fazer recomendações de investimentos, um limite que o próprio Itaú optou por manter nesta fase inicial, enquanto o modelo ainda está em processo de ajuste e validação.
O banco também aposta em ganhos de eficiência internos com a chegada do assistente. Segundo estimativas divulgadas pela instituição, o atendimento humano deve se tornar duas vezes mais rápido com o apoio da inteligência artificial, enquanto a taxa de efetividade das conversas tende a ficar três vezes superior à atual. A ideia é que tarefas repetitivas e processuais fiquem a cargo do ia.i, liberando os atendentes humanos para lidar com casos mais complexos e que exigem maior sensibilidade.
O momento da inteligência artificial no Brasil
O lançamento do Itaú acontece em um período de forte movimentação do setor de tecnologia em torno da inteligência artificial generativa no país. Startups brasileiras têm liderado iniciativas que aplicam IA a diferentes áreas, da criação de conteúdo à automação de processos empresariais, um movimento que ganhou ainda mais visibilidade em São Paulo neste mês de julho, palco de eventos do setor como o AI Summit Brasil, realizado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas.
Esse crescimento, porém, vem acompanhado de debates sobre privacidade de dados. Tanto o Brasil quanto a União Europeia têm avançado em regulamentações mais rígidas para proteger usuários contra o uso indevido de informações pessoais, um ponto sensível justamente para ferramentas como o ia.i, que dependem de dados financeiros detalhados para funcionar de forma personalizada.
O cenário de investimentos, no entanto, mostra um contraste importante. Levantamentos recentes indicam que o volume aportado em startups brasileiras neste ano ficou bem abaixo do registrado em 2025, ainda que o interesse por soluções de inteligência artificial voltadas a setores específicos, como agronegócio, saúde e logística, continue atraindo atenção de investidores. Empresas como Blip, Nagro e Enter chegaram a ser apontadas como capazes de captar aportes relevantes ao longo do ano, o que sugere que o apetite por IA aplicada segue forte, mesmo em um momento de maior cautela geral do mercado.
Para o cliente do Itaú, o teste real do ia.i só vai começar agora, à medida que a base de usuários crescer e a ferramenta passar a lidar com situações mais variadas do cotidiano financeiro. A forma como o banco vai equilibrar personalização, transparência sobre o uso de dados e ganhos reais de praticidade deve determinar se a experiência conversacional se consolida como um novo padrão de atendimento ou permanece como um recurso complementar ao aplicativo tradicional.
Nos próximos meses, o mercado deve acompanhar de perto tanto a velocidade de expansão do ia.i quanto a reação de outras instituições financeiras, que também avaliam investir em assistentes conversacionais semelhantes. O caso do Itaú tende a servir de referência para o setor bancário brasileiro sobre como equilibrar inovação tecnológica e cuidado com a confiança do cliente.
Fontes:
Money Report | Seu Dinheiro | Canaltech | ConvergênciaDigital | Tecnoblog | BRA 1 | Startupi










