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Greve na CPTM ameaça paralisar linhas de trem na Grande São Paulo a partir de agosto

Ferroviários aprovam parar por tempo indeterminado nas linhas 11, 12 e 13 após falhas da Trivia Trens levarem a estatal a reassumir a operação.

O transporte sobre trilhos da Região Metropolitana de São Paulo enfrenta um novo capítulo de instabilidade. Em assembleia realizada na noite da última sexta-feira, dia 24 de julho, na sede do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, os trabalhadores aprovaram um indicativo de greve por tempo indeterminado. A paralisação, caso se confirme, está agendada para começar à meia-noite do dia 4 de agosto e afeta diretamente três ramais essenciais da malha ferroviária paulista: as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, responsáveis pelo deslocamento diário de centenas de milhares de passageiros entre a Zona Leste da capital e cidades do Alto Tietê, como Guarulhos, Suzano e Mogi das Cruzes.

O indicativo de paralisação surge poucos dias depois de a Agência de Transporte do Estado de São Paulo determinar que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos voltasse a assumir, de forma temporária e pelo prazo inicial de 90 dias, a operação dos três ramais. A decisão regulatória, tomada em caráter de urgência, veio na esteira de uma sequência de falhas registradas logo nos primeiros dias de gestão da concessionária Trivia Trens, que havia recebido a operação dessas linhas ainda em julho.

O que motivou a intervenção da Artesp nas linhas

De acordo com registros oficiais e relatórios de ocorrência da última semana, um problema de energia elétrica na região da estação Brás chegou a paralisar simultaneamente os três ramais afetados. O colapso provocou o desligamento automático de subestações que também atendem outras linhas do sistema, ampliando o impacto sobre a rotina de quem depende do transporte ferroviário para se locomover pela Grande São Paulo. Além disso, houve o registro de um incêndio em um trem na altura da rua Bresser, na região central da capital, o que exigiu a atuação do Corpo de Bombeiros e um desembarque guiado de passageiros diretamente sobre os trilhos, por motivos de segurança.

Diante desse cenário, a Artesp optou por transferir de volta à CPTM a responsabilidade pela operação dos ramais, mesmo que de forma provisória. A estatal informou, por meio de nota, que foi formalmente notificada da decisão e que reúne plenas condições técnicas e operacionais para gerir as linhas durante o período de transição. Já a concessionária Trivia Trens declarou lamentar os episódios recentes e reiterou o compromisso de investigar a fundo as causas técnicas que levaram às falhas registradas logo no início da concessão.

Insegurança trabalhista alimenta a ameaça de paralisação

A reassunção temporária por parte da CPTM, no entanto, trouxe consigo uma nova fonte de tensão. A categoria manifestou preocupação com a ausência de garantias de emprego para os trabalhadores após o encerramento do prazo de 90 dias determinado pela Artesp, já que a definição de quem vai operar as linhas no longo prazo continua em aberto. Diante disso, o sindicato estruturou uma pauta de reivindicações organizada em quatro eixos principais: a reestatização definitiva das linhas ferroviárias transferidas à iniciativa privada, a garantia integral de todos os postos de trabalho dentro da CPTM, o apoio do governo estadual à aprovação do Projeto de Lei nº 730 de 2025 na Assembleia Legislativa de São Paulo, que autoriza a absorção dos funcionários pela estatal, e um prazo até 31 de julho para que o governo apresente uma resposta oficial às demandas.

Em nota, a entidade sindical ponderou que os funcionários da concessionária Trivia Trens não devem ser responsabilizados diretamente pelos transtornos enfrentados pela população nos últimos dias. Para os representantes da categoria, as falhas decorrem de um processo de transição operacional conduzido de forma inadequada, com planejamento insuficiente e investimentos aquém do necessário para sustentar a operação logo nas primeiras semanas da nova concessão.

O calendário que vai definir o desfecho dessa disputa já está estabelecido. Caso o governo estadual não apresente nenhuma proposta concreta até 31 de julho, o sindicato realizará uma nova assembleia no dia 3 de agosto, às 18h, para confirmar oficialmente o início da greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite do dia seguinte. Até lá, passageiros das linhas 11, 12 e 13 devem acompanhar de perto os desdobramentos da negociação, já que uma paralisação nesses ramais tende a gerar impacto direto sobre a mobilidade de quem circula diariamente entre a capital e os municípios do Alto Tietê.

Fontes:
Mobilidade360 | Brasil 247 | Metrô CPTM