Planejamento logístico, integração entre órgãos e centros de comando tornaram-se fatores decisivos para reduzir riscos em agendas oficiais e eventos de grande porte.
A realização de grandes eventos e a circulação de autoridades em ambientes públicos colocam à prova a capacidade de coordenação do sistema de segurança. Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, alude que mais do que presença policial ostensiva, a efetividade das operações depende de integração entre diferentes órgãos, planejamento antecipado e desenho claro de responsabilidades. O principal desafio atual não é a falta de recursos isolados, mas a articulação entre eles em estruturas de comando e controle que funcionem sob pressão.
O aumento da complexidade dos eventos, aliado à maior exposição de lideranças e autoridades em agendas abertas, ampliou a necessidade de respostas rápidas e sincronizadas. Nesse cenário, falhas de comunicação ou sobreposição de funções podem comprometer toda a operação, mesmo quando há equipes qualificadas em campo.
Segurança como sistema, não como ação isolada
Em operações envolvendo dignitários e grandes concentrações de público, a lógica de proteção passa a ser sistêmica. Isso inclui controle de acessos, gestão de fluxo de pessoas, definição de rotas, monitoramento de áreas sensíveis e protocolos de resposta a incidentes. Cada uma dessas camadas precisa funcionar de forma integrada, com informação circulando em tempo real.
A fragmentação é um risco recorrente, isso porque, como explica Ernesto Kenji Igarashi, quando cada órgão atua com seus próprios protocolos, sem um centro de coordenação efetivo, a chance de lacunas operacionais aumenta. A existência de centros integrados de comando, com representantes das principais forças envolvidas, tornou-se um padrão em eventos de maior porte, justamente para reduzir esse tipo de vulnerabilidade.
Essa abordagem também permite ajustes dinâmicos durante a execução, já que mudanças de agenda, alterações no fluxo de público ou ocorrências imprevistas exigem decisões rápidas e alinhadas entre todos os responsáveis.
O desafio da coordenação interagências
A coordenação entre forças policiais, segurança privada, equipes de trânsito, serviços de emergência e organizadores do evento envolve diferenças de cultura operacional, hierarquia e comunicação. Em muitos casos, essas estruturas não trabalham juntas no dia a dia, o que exige ensaios, simulações e definição prévia de protocolos.
Tal como apresenta Ernesto Kenji Igarashi, a falta de padronização é um dos principais gargalos, dado que, não basta reunir todos no mesmo espaço físico. É necessário que exista clareza sobre quem decide, como a informação é validada e quais são os canais de acionamento em cada tipo de situação.

Esse tipo de integração também depende de acordos institucionais e planejamento conjunto, o que coloca a segurança de grandes eventos como um tema de gestão pública, e não apenas de execução operacional.
Lições institucionais de grandes operações
Experiências recentes em eventos esportivos, encontros diplomáticos e grandes festivais evidenciaram que o sucesso das operações está diretamente ligado à fase de planejamento, expõe o especialista em segurança institucional Ernesto Kenji Igarashi. Mapeamento de riscos, definição de cenários e testes de comunicação antecedem qualquer mobilização em campo.
Quando esses processos são tratados como rotina institucional, e não como exceção, os resultados tendem a ser mais consistentes. A segurança deixa de ser reativa e passa a ser estruturada como política operacional, com ciclos de avaliação e melhoria contínua. E esse aprendizado também se reflete na criação de manuais, protocolos e treinamentos conjuntos, que reduzem a dependência de soluções improvisadas em momentos críticos.
Impactos para cidades e organizadores privados
A necessidade de coordenação logística e institucional não se limita a agendas oficiais. Grandes shows, feiras internacionais e eventos corporativos passaram a exigir padrões de segurança semelhantes, especialmente em cidades que buscam se consolidar como destinos de eventos.
Para os organizadores, isso significa incorporar a segurança como parte central do planejamento, desde a escolha do local até a gestão de público e a comunicação com autoridades. Para as administrações públicas, envolve investir em estruturas permanentes de integração e em canais estáveis de cooperação com o setor privado.
Na avaliação de Ernesto Kenji Igarashi, esse movimento tende a se intensificar, pois a expectativa de segurança hoje é mais alta, e qualquer falha tem impacto institucional e reputacional. Por isso, a coordenação deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito básico.
Ao tratar a segurança de grandes eventos como um sistema integrado, e não como uma soma de esforços isolados, governos e organizadores ampliam a capacidade de prevenção e reduzem a dependência de respostas emergenciais. Nesse contexto, a coordenação logística e interagências se consolida como o eixo central das operações de proteção em ambientes de alta exposição.
Autor: Yan Chay










