Segunda fase da Operação Ouro Reverso foi deflagrada nesta segunda-feira (24) na capital e em Guarulhos. Investigação apura uma cadeia que, segundo a Polícia Civil, começava com roubos de joias, passava pelo derretimento do ouro e chegava à lavagem e reinserção do metal no mercado.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, a segunda fase da Operação Ouro Reverso, voltada a uma rede suspeita de atuar no roubo, furto, receptação e comercialização de alianças e outras joias de ouro. A ofensiva ocorre em endereços da capital paulista e de Guarulhos, na Região Metropolitana, e busca atingir diferentes integrantes da cadeia investigada, desde pessoas relacionadas à obtenção das peças até comerciantes e operadores suspeitos de participar do processamento e da movimentação financeira do ouro. (UOL Notícias)
A Justiça autorizou 35 mandados judiciais, segundo informações divulgadas sobre a operação: 28 de busca e apreensão, quatro de prisão temporária e três de prisão preventiva. A investigação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, vinculada à Divisão de Investigações Gerais. (Plano Oeste EDC)
Justiça determina bloqueio de R$ 34,6 milhões
Uma das principais medidas da segunda fase é o bloqueio de R$ 34.682.364,90 em 13 contas bancárias relacionadas aos investigados. A Justiça também determinou o sequestro de sete veículos e um imóvel, ampliando a ofensiva sobre o patrimônio supostamente relacionado ao esquema investigado. (Alagoas Alerta)
A operação mobilizou cerca de 60 policiais civis do Deic, distribuídos em 30 viaturas, além de 21 auditores da Receita Estadual e três avaliadores da Caixa Econômica Federal. A participação de profissionais de outras instituições busca auxiliar na análise fiscal, patrimonial e financeira relacionada às empresas e pessoas investigadas. (Plano Oeste EDC)
Como funcionaria o esquema investigado
De acordo com a investigação, o esquema teria diferentes etapas. Na primeira estariam os responsáveis pelos furtos e roubos de alianças, anéis e outras peças de ouro. Depois, as joias seriam encaminhadas a intermediários e estabelecimentos suspeitos de receptação. O derretimento do ouro é considerado uma etapa central, pois eliminaria características físicas das peças e dificultaria a identificação de sua procedência. (UOL Notícias)
Após o processamento, o metal poderia retornar ao mercado por intermédio de empresas e documentos fiscais, adquirindo aparência de mercadoria regular. A polícia também investiga a utilização de empresas de fachada e depósitos bancários fracionados como mecanismos para ocultar a origem dos recursos. A suspeita é que parte do dinheiro obtido com a comercialização retornasse à própria estrutura e ajudasse a financiar novos crimes. (Plano Oeste EDC)
Polícia mira estabelecimentos no Centro de São Paulo
Parte das diligências concentra-se no Centro da capital paulista. Os investigadores identificaram uma região chamada na apuração de “círculo de fogo”, onde funcionariam empresas suspeitas de comprar joias roubadas, derreter o material e posteriormente comercializar o ouro. A estratégia da operação é atingir justamente a estrutura que possibilitaria transformar uma joia identificável em matéria-prima mais difícil de rastrear. (UOL Notícias)
Essa etapa é considerada importante porque a investigação não se limita aos autores dos roubos praticados nas ruas. A Polícia Civil tenta identificar também os possíveis receptadores, processadores e financiadores que permitiriam a continuidade da cadeia. Dessa forma, a ofensiva procura interromper tanto a obtenção das joias quanto os mecanismos utilizados posteriormente para transformar o material roubado em recursos financeiros. (Plano Oeste EDC)
Primeira fase recuperou milhões em ouro e joias
A investigação não começou nesta segunda-feira. A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi realizada em maio de 2025 e resultou no cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária. Na ocasião, aproximadamente R$ 2,7 milhões em ouro e joias foram recuperados, além de cerca de R$ 157 mil em dinheiro. Três CNPJs relacionados a estabelecimentos clandestinos utilizados para derretimento de ouro também foram cassados, segundo informações da investigação. (NC News)
A análise das informações e materiais recolhidos naquela etapa permitiu aos investigadores avançar sobre outros possíveis integrantes da rede. A polícia passou a investigar conexões entre suspeitos de executar roubos, pessoas responsáveis pela compra e processamento das peças e indivíduos ligados à movimentação dos recursos obtidos com o ouro. (NC News)
Joias recuperadas podem voltar aos proprietários
Outro desdobramento da investigação envolve as peças recuperadas pelas autoridades. Segundo informações divulgadas sobre a operação, joias apreendidas anteriormente puderam ser devolvidas aos proprietários após procedimentos de comprovação e perícia. (UOL Notícias)
O trabalho é especialmente complexo porque o derretimento modifica completamente as características das peças. Uma aliança, corrente ou anel que passa pelo processo deixa de conservar elementos que poderiam facilitar o reconhecimento pelo proprietário ou pelos investigadores. É justamente por isso que a Polícia Civil considera os estabelecimentos e pessoas envolvidos no processamento do metal uma parte fundamental da cadeia investigada.
Operação busca atingir estrutura financeira
O bloqueio superior a R$ 34 milhões mostra que a segunda fase também procura atingir a dimensão econômica do esquema. Além das diligências policiais, a investigação busca reconstruir movimentações financeiras, identificar patrimônio e verificar como recursos supostamente provenientes da comercialização do ouro circulavam entre pessoas e empresas.
As medidas patrimoniais, entretanto, não significam condenação dos investigados. A Operação Ouro Reverso permanece em andamento, e caberá às autoridades reunir provas e individualizar a eventual participação de cada suspeito. Os investigados têm direito à defesa durante o processo.
A operação desta segunda-feira amplia, portanto, uma investigação iniciada no ano passado e procura atingir toda a cadeia econômica associada às joias de procedência ilícita. Ao mirar simultaneamente suspeitos de receptação, locais de processamento, movimentações bancárias e patrimônio, a Polícia Civil tenta dificultar que o ouro roubado seja transformado, comercializado e posteriormente reinserido no mercado como produto aparentemente regular. (UOL Notícias)
Fontes
UOL Notícias — SP bloqueia R$ 34 milhões em operação contra roubo de alianças de ouro
BNews São Paulo — Polícia faz operação contra rede de receptadores de alianças roubadas
Diário do Estado de São Paulo — Operação Ouro Reverso desarticula rede de receptação










